quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capítulo 2 - Pensamentos


Susan pede a John que vá para casa, pois ela não se importava de ficar sozinha, aliás, até preferia ficar. Quando chega a casa, sente-se exausto e já sabia que não ia conseguir dormir e que ia ficar toda a noite acordado. Ele não conseguia esquecer a imagem do seu amigo morto, mas esta não era a única coisa que ele não o deixava dormir. O facto de ter visto a Mei, deixou-o totalmente confuso. Ele não sabia o que havia de pensar. Será que viu mesmo a Mei, ou foi apenas uma visão?

São quase duas da manhã, quando Jane decide ir ao hospital. Estava farta de se sentir culpada por causa do que se passou com Tom e achou melhor ir ver o que realmente tinha acontecido. Quando chega ao hospital, olha para um quadro perto da receção, que tinha o nome dos doentes e o número do quarto onde se encontravam, porém foi inútil, porque não sabia o nome do homem pelo qual procurava. Pergunta então à rececionista por alguém que tenha dado entrada há pouco tempo no hospital devido a atropelamento e obtém a resposta requerida. Passa por Susan mas não teve qualquer significado pois não se conheciam. Entra no quarto, aproxima-se e vê o estado em que Tom estava. Vieram-lhe as lágrimas aos olhos pois afinal era ela a ‘’criminosa’’. De repente, Tom acorda e ambos ficam assustados. Tom mal consegue falar, mas ainda assim afirma:

Tom – Tu és real!

Jane – Sim. Sou eu a pessoa do quadro… Desculpe por ter ficado assim. Isto é tudo culpa minha. Acha que um dia me conseguirá perdoar?

Tom abana ligeiramente a cabeça, fazendo sinal que sim. Jane sente-se mais aliviada e depois houve Tom dizer:

Tom – Tu és a Mei!

Jane – Mei? – (pergunta ela confusa). Como é que sabe que sou a Mei?

Tom – Tu és real…és a Mei.

Jane – Como é que sabe isso? Quem lhe disse?

As máquinas começam a apitar e Jane assustada recua em direção à porta. Tom não conseguiu dizer nem mais uma palavra e Jane foge. Uma equipa médica entra no quarto e percebem que Tom está a ter um ataque cardíaco. Tentam reanimá-lo mas não conseguem. Jane nem olha para trás e vai em direção à saída. Sem querer esbarra contra Susan e esta pede-lhe desculpa, mas como Jane estava tão desorientada apenas a olhou nos olhos e continuou a correr. Susan ficou admirada com a reção de Jane e anda em direção ao local de onde Jane tinha vindo a correr. Vê então que ela tinha vindo do corredor onde estava o quarto de Tom. Susan aproxima-se mais e vê tantos médicos à volta de Tom que grita:

Susan – O que se está a passar?

Uma médica – Desculpe mas não pode entrar aqui!

Susan – Não! Eu quero ver o que se passa!

Um enfermeiro – A senhora tem de sair imediatamente!

Susan – Não! O que se passa?

  Susan, encharcada em lágrimas, berra e insiste em não sair dali. O enfermeiro pega nela pelo braço e leva-a para a sala de espera. Após vinte minutos, o médico responsável pela operação feita a Tom, fala com Susan e dá-lhe a infeliz notícia de que desta vez não conseguiram reanimar o seu marido. Susan decide telefonar a John e contar-lhe a infeliz noticia. John assim que ouve a voz de Susan ao telefone percebe logo que algo de errado se passava e vai o mais rápido que pode para o hospital. Assim que chega, ele e Susan são acompanhados por um enfermeiro até ao corpo de Tom. Susan abraça o seu marido e John coloca a sua mão nas costas de Susan de modo a oferecer-lhe algum apoio e conforto.

No dia seguinte Tom é preparado para o seu funeral. Por volta das cinco da tarde John veste o seu fato preto e parte para o cemitério. Quando chega vê o seu grande amigo pela última vez, o que fez com que os seus olhos se enchessem de lágrimas, e coloca um grande ramo de flores na sepultura de Tom. Dá as condolências a todos os parentes de Tom e permanece ao lado de Susan durante o resto do funeral. No final parte para casa de cabeça baixa e com um aperto no coração.

Quanto a Jane, ao contrário de John, ela estava quase convicta de que o que tinha visto era verdade, mas de momento tudo o que ela precisava era tentar esquecer a morte pela qual ela se incriminava um pouco. Sentia-se chocada com o que se sucedeu, contudo isso não fazia com que ela sentisse alguma felicidade. Ver o seu retrato, pintado pela pessoa que ela amava, quase que tornara realidade ‘’o sonho’’ que tinha todas as noites.

O passar da semana, levou a que John quase se esquecesse de que tinha visto a Mei, já que estranhamente durante o resto da semana não voltou a ter ‘’o sonho’’. John ainda transtornado com a morte do seu amigo, decide distrair-se ao pintar mais um quadro. Tudo o que ele imaginava em pintar, levava-o a escolher cores escuras, o que refletia um pouco o conteúdo do seu estado psicológico – tristeza. Depois de tantos traços e sombreados, afasta-se e repara que tudo o que tinha desenhado e pintado era simplesmente um ‘’resumo’’ de tudo o que se tinha passado e portanto num canto estava representada uma sombra feminina.

John – Mesmo depois de esquecer, a lembrança perdura…

Ao fim de tanta tragédia a sua mente ainda guardava aquilo de que não havia nada a fazer para poder esquecer permanentemente.

Passa mais um dia e John, sentado no sofá, vê televisão mas apenas os olhos prestam atenção, pois a sua cabeça está ocupada com a Mei. De repente o tocar do telefone desperta-o:

John – Estou.

- Estou, Senhor John. É para dizer que já pode vir buscar os seus quadros.

John – Ah… Sim, claro… Eu passo por aí mais logo então…

- Sim, venha por volta das 19:30h.

John – Está bem. Adeus e obrigado.

- Adeus.

John posa o telefone e volta a sentar-se no sofá.

A ansiedade que Jane trás consigo nem a deixa ter apetite para almoçar. Chega a sentir-se ridícula, porque afinal ela não tem a certeza de nada. Mas bem no fundo ela sentia que algo ia mudar…ela nunca tinha tido uma visão com o Li, só o via no sonho que ela já conhece de cor e salteado e que já o sonha à um ano, todos os meses e em média três vezes por semana. Ela estava farta! – Necessito de respostas – disse ela. Então prepara-se, pega na mala e vai em direção ao metro, com destino ao local da exposição.

Farto de pensar na Mei, John decide ir andando para buscar os seus quadros. Pega nas chaves do carro e sai porta fora. Chegando ao local, sai, veste o casaco e assim que entra vê a senhora que lhe telefonou:

- Olá John, veio na hora certa.

John – Na hora certa?! Porquê passa-se alguma coisa?

- Nada, é só que eu tenho de ir tratar de uns assuntos e lamento mas não vou poder ficar cá para o ajudar na arrumação.

John – Tudo bem! Eu arrumo sozinho, não há problema.

- Está bem, obrigada! Se houver algum problema ligue-me.

John – Claro. Adeus.

- Adeus.

Fica então John a arrumar e empacotar os quadros.

Jane chega ao local e vê que a porta estava fechada, pelo que decide ir dar uma olhadela pelas traseiras. Felizmente a porta estava apenas encostada e entra sorrateiramente. Assim que passa a porta, dirige-se ao quadro de seu interesse e fica mais uma vez a admirá-lo e sussurra: - Como é que isto é possível?

Pois ali estava ela com roupas ocidentais antigas.

John aproxima-se e acha estranho o facto de ela estar tão quieta a observar e diz:

John – Desculpe, mas a exposição já acabou e a senhora não pode estar aqui.

Jane – Peço desculpa por ter entrado. Eu apenas queria ver este quadro.

Jane continua virada para o quadro e John mantém-se atrás dela com a caixa que ele carregava.

John – Estou a ver que gosta muito do quadro.

Jane – Sim, imenso. Há possibilidade de eu o comprar.

John – Receio que não. Esse quadro não está à venda.

Jane – Porquê?

John – Porque fui eu que o pintei e tem um grande significado para mim.

Ela nem se apercebe do que John acabara de dizer, continuando a olhar para o quadro estupefacta. John assemelha a voz de Mei a Jane e pergunta-lhe:

John – Desculpe, mas a sua voz não me é estranha. Conheço-a de algum lado?

Jane – Duvido. Mas deixe-me dizer-lhe que a sua voz também não me é estranha.

No momento em que Jane responde, John avança um pouco e Jane vira-se dando-se de caras um com o outro.

John ao ver a sua pintura tornada realidade até deixa cair a caixa que segurava na mão.

John – Mei, és mesmo tu?

Jane – Li?!

Sem quase conseguirem acreditar no que viam, avançam na direção um do outro, param, olham-se nos olhos e abraçam-se. Sentem as mãos a apertarem os seus corpos com imensa força e vêem-se lágrimas de felicidade a cair da cara de Jane. John afasta delicadamente jane e limpa-lhe as lágrimas. Olhares de ternura são trocados e lentamente, aproximam os seus lábios e dão um beijo profundo. Parecia que os segundos se tornavam minutos, tal era a intensidade dos beijos. Depois de um grande momento de paixão, olham-se novamente e abraçam-se uma vez mais.

Jane – Ainda nem consigo acreditar que és mesmo tu!

John – Eu sei, eu sinto o mesmo!

Jane – O que estás aqui a fazer?

John – Estava a empacotar os meus quadros.

Jane – Vejo que continuas a ser um grande pintor.

John sorri.

Jane – Precisas de ajuda?

John – Na verdade sim…

Jane – Eu ajudo-te então.

Ambos arrumam os quadros e ao mesmo tempo olham-se carinhosamente.  No final John pega nas mãos de Jane e diz:

John – Gostavas de vir comigo para minha casa? Não quero separar-me de ti agora que te encontrei.

Jane – Sim, adorava.

John fecha a porta das traseiras do museu e entram os dois no carro. Ao chegarem ao apartamento, John começa por mostrar a Jane todos os cantos da casa. Quando abre a porta do quarto, Jane fica admirada com a bela vista que se podia observar através dos enormes vidros da janela. A noite estava perfeita, com todas as luzes vindas da rua e dos outros prédios, até o céu colaborou, com lindas estrelas e uma maravilhosa lua cheia.

John – Queres comer? Eu posso preparar o que quiseres.

Jane – Sim, pode ser.

Voltam à cozinha e preparam os dois uma simples refeição.

John – Confesso que não tenho muito jeito para isto, mas não ficou mal.

Jane – Sim, acho que o que fizemos está bom.

Durante a refeição são trocados sorrisos e gargalhadas e no final sentam-se no sofá. John – Sentes-te cansada?

Jane – Não. Ainda é cedo.

Sorriem e Jane diz: - Gosto muito do teu apartamento!

John – E do que é que gostas mais?

Jane – Adorei a vista da janela do teu quarto. A cidade vista de cá de cima fica fantástica.

John – Sim, foi por isso mesmo que decidi comprá-lo. Mas a vista é ainda melhor vista da varanda. Eu mostro-te! Vamos.

Entram no quarto, John abre a porta de vidro da varanda e puxa delicadamente a Jane. Ela coloca as mãos nas grades da varanda e John abraça-a por detrás.

Jane – Tens razão a vista é maravilhosa.

John – E sabes o que ainda a torna mais maravilhosa?

Jane – O quê?

John – Estar aqui contigo a vê-la.

Faz-se um momento de silêncio e John continua: - Nunca pensei que isto se pudesse vir a tronar realidade. Finalmente sinto-me completo contigo ao meu lado.

Jane inclina a cabeça e com a mão aproxima os lábios dele aos seus. 

Com o passar dos minutos, os beijos tornam-se demasiado intensos e as mãos de ambos começam a percorrer os seus corpos. Caminham vagarosamente para o quarto, John senta-se na cama com Jane ao seu colo e acaricia-lhe as pernas. Devagar a Jane começa a desabotoar a camisa de John e tocando-lhe nos ombros, seguidamente dos braços, tira a camisa. As caricias continuam até terem apenas a roupa interior e então John deita Jane na cama e despem os últimos pedaços de tecido até sentirem apenas as suas peles a tocarem-se. Jane desliza as mãos pelo delicioso corpo de John e ouvem-se suspiros de prazer. Depois de vários repetidos movimentos, o prazer atinge o auge e resta apenas uma ligeira exaustão. Por fim Jane adormece nos braços de John e seguidamente ele também fecha os seus olhos.

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