Já há alguns anos que John tem vindo a
ter todas as noites sempre o mesmo sonho e ele começa a sentir que o sonho é a
sua verdadeira vida. O que ele sonha é basicamente um fragmento de quem ele foi
na vida que teve antes desta, o mais importante é de ele se lembrar do seu
verdadeiro amor: Mei. Essencialmente, ele lembra-se de estar sempre com a Mei e
de que ele costumava fazer muitos desenhos dela. Para além disso, também se
lembra do momento em que morreu. A sua vida no mundo real, não era nada de
especial e ele não tinha uma razão de vida. Então ele começou a pensar que ele
só conseguia ser feliz nos seus sonhos. Esta ideia de querer viver nos sonhos
apareceu, porque todos os dias ele tinha a mesma rotina: pintar; sem qualquer
alegria ou prazer…ele não tinha sentimentos bons. Uma parte dele já estava
morta. Depois ele decidiu tomar vários comprimidos para dormir para que pudesse
dormir o máximo de tempo possível, com a finalidade de sonhar. Depois de meses
a tomar tantos comprimidos, o coração dele ficava cada vez mais fraco e começou
a falhar, por isso depois de algum tempo, quase que teve um ataque de coração.
Os médicos descobriram a causa do quase ataque cardíaco e por pouco que o
internavam. Contudo, o John apenas foi enviado para uma psicóloga que o ajudara
já há sete meses.
Hoje é a sua última sessão de
tratamento.
Psicóloga – Como sabe, esta pode ser a nossa última
sessão, por isso comecemos por me dizer como se sentiu ao longo desta semana.
John – Senti-me normal… Quer dizer… Eu não tive ‘’o
sonho’’.
Psicóloga – Isso é um grande progresso, porque você não
tem tido ‘’esse sonho’’ já há três meses. Por isso, acho que talvez seja tempo
de poder voltar à sua vida normalmente. Eu acredito de que será capaz de
conseguir ter uma vida normal. Não concorda?
John – Sim. Acho que depois deste tempo todo, voltei a
ser eu mesmo.
Psicóloga – É verdade! E é isso que você se deve
lembrar todos os dias: ‘’ser eu mesmo’’. Penso que está preparado para aceitar
que os sonhos são apenas uma experiência de imaginação do nosso subconsciente,
durante o período de sono. Percebe o que estou a dizer?
John – Sim, claro! Eu sei que tenho vindo a agir como
uma pessoa maluca, mas eu percebo que ‘’o sonho’’ não era real e eu não vou
voltar a acreditar num mundo que faz parte da minha imaginação. - Diz de forma
duvidosa.
Psicóloga – Esse é o passo que eu tenho vindo à espera
que tomasse. Vejo que já consegue aceitar a verdade. Sinto-me orgulhosa do seu
progresso. E, assim sendo, esta é possivelmente a nossa última sessão. Não
precisa de vir novamente.
John – Está a dizer a verdade? Então, eu estou
‘’curado’’? – Diz com um grande sorriso.
Psicóloga – Sim. Está ‘‘curado’’! – Ela dá uma
gargalhada. Mas John, se eventualmente tiver ‘’o sonho’’ outra vez, peço-lhe
que me ligue para ter a certeza de que fica bem, está bem?
John – Claro! Eu farei isso.
Psicóloga – Então, eu vou já tratar dos seus papéis em
conforme as consultas terminarão. Adeus e cuide-se.
John – Adeus!
John, farto de estar naquele péssimo
lugar, corre para o carro e vai para casa. Durante o caminho farta-se de se rir
e sente-se completamente aliviado. No final do dia, John deita-se no sofá a
pensar na forma como ele deve colocar os seus quadros para fazer uma exposição
perfeita. Sem se aperceber ele adormece…
(Numa
pequena montanha, com vista para o mar, ao pôr do sol.)
Li
pega nas mãos de Mei: Mei, eu amo-te tanto que eu quero ficar contigo para
sempre.
Mei
sorri e diz: Li, tu sabes que eu te amo com todas as minhas forças e se fosse
possível eu ficaria contigo para sempre, até que o mundo acabasse.
Li
olha a Mei nos olhos e confessa: Eu quero que saibas que desde o primeiro
momento que te vi, eu sempre acreditei que estávamos destinados a viver juntos para
sempre. O meu amor por ti será sempre infinito.
Mei
fica emocionada e aproxima os seus lábios aos de Li e sente que ele está a
tremer muito, e diz: - Li, que se passa? Estás a tremer tanto…
Li
não é capaz de lhe responder e cai para trás.
John acorda e sente o seu coração a
bater muito forte, quase a sufocar e suspira: - Mei!...
John estava surpreendido, porque ele
nunca pensara que teria aquele sonho outra vez. Toma banho e esfrega várias
vezes a cara para se certificar que está acordado. Fica confuso, pois não sabe
o que há-de fazer. Ainda pensou em telefonar à psicóloga, mas ele não queria ir
para aquele sítio novamente. De repente olha para o relógio e apercebe-se de
que já está atrasado para a exposição, então sai o mais rápido que pode.
Passados 20 minutos ele chega, vê o Tom e dá-lhe um aperto de mão:
John – Bom dia Tom, como é que está a minha exposição?
Tom – Bom dia! O que aconteceu para teres chegado
atrasado?
John – Adormeci, mais nada. E vejo que já está tudo
preparado!
Tom – Sim, eu já organizei todo o teu trabalho e espero
que esteja do teu agrado, porque eu não vou fazer nenhuma alteração! – Diz a
rir-se.
John – Não, está tudo bem! Onde é que puseste a
‘’Mei’’?
Tom – Tem calma, está ali ao fundo. Eu coloquei-a no
fim para ficar centrada com o corredor, porque é mesmo o melhor que já fizeste.
John – Eu sei, obrigado Tom.
Tom – Tu ainda tens sonhos com ela?
John – Já não. Mas eram só sonhos…
Tom – Exato! Não percas o contacto com a realidade,
porque sabes perfeitamente o que aconteceu.
John – Sim, eu sei.
Tom – Eu não te quero voltar a ver todo desorientado,
percebes? Da última vez quase que morreste. Ficavas em casa, não falavas com
ninguém… Por isso vive a vida real e não os sonhos, está bem?
John – Sim eu percebo… isso foi antes, agora já estou
bem. – diz John duvidoso.
Tom – Olha, vai começar, já estão a abrir as portas.
Isto vai ficar cheio de gente…
Jane costumava trabalhar num bar de
Jazz, mas há já três meses que foi despedida e desde então ainda não conseguiu
arranjar trabalho. Os seus pais têm um emprego muito bom e ainda têm um pequeno
café. Dinheiro é coisa que não lhes falta e de dois em dois meses enviam uma
certa quantia a Jane para que ela tenha o que quer que seja necessário para
poder viver sozinha. Quando ela saiu de casa os pais estavam sempre a discutir
e até pensaram em divorciar-se, mas ninguém se dispôs a avançar com o divórcio
e até agora ainda vivem juntos.
Depois de tomar o pequeno-almoço, Jane
decide ir dar uma volta para ver se aparecia algum anúncio de trabalho e no
caminho depara-se com a sua amiga Molly.
Jane – Olá Molly, como estás?
Molly – Olá, há tanto tempo que não te via… Eu estou
bem e tu?
Jane – Eu estou fastástica.
Molly conhecia Jane desde o liceu e notou logo que
havia qualquer coisa de errado.
Molly – Para de mentir! Eu já te conheço! Posso não te
ter visto este tempo todo, mas tu continuas a mesma.
Jane – Oh, já te disse que estou bem!
Molly – Podes mentir aos outros, mas não consegues
mentir-me a mim. Tu estás desempregada outra vez…
Jane – Sim…
Molly – Tu sabes que te posso ajudar. Eu posso
arranjar-te emprego…
Jane – …Não! Já devias saber que eu não gosto desse
tipo de coisas. Eu quero ser feliz com aquilo que sei fazer.
Molly – Sim, eu percebo-te, mas arranjar emprego como
cantora não está fácil.
Jane – Eu sei.
Molly – Precisas de dinheiro?
Jane – Não. Os meus pais enviam-me de vez em quando uns
trocos.
Molly – Está bem. Olha, eu tenho de ir já estou
atrasada. Se precisares de alguma coisa liga-me! Vemo-nos depois, Adeus!
Jane – Adeus!
Jane
continua a caminhar pelas ruas e de repente vê um anúncio com uma foto do
melhor trabalho de John: ‘’Mei’’. Ela fica perplexa a olhar para a figura que é
tal e qual ela. Ela lê o pequeno texto que está abaixo da imagem e apercebe-se
de que é uma exposição de quadros. Olha para a morada onde se realizará a
exposição e corre em direção ao metro.
Quando
chega ao local, entra e olha em todas as direções à procura da imagem.
Finalmente, vê o quadro no final do corredor e corre na sua direção. Ela fica
imóvel a observar as semelhanças e chega a perguntar a ela própria: - Então ‘’o
sonho’’ é real?
Tom
vê-a a prestar tanta atenção para o quadro que decide ir-lhe perguntar se
precisa de alguma coisa.
Tom
– Olhe desculpe, mas a senhora está bem?
Jane
olha para trás, ligeiramente pálida e desta vez é Tom quem fica perplexo e até
um pouco assustado. Ela nota na sua reação e, apavorada com o sucedido, foge o
mais rápido possível dali. Tom preocupado, corre atrás dela. Jane está
completamente desorientada e atravessa a rua com todos os carros a passarem a
alta velocidade. Ela teve sorte em não ter sido atropelada, mas já não se pode
dizer o mesmo de Tom. Ele estava tão preocupado com ela que nem se apercebe dos
carros à sua volta. Jane olha para trás e vê que Tom foi atropelado. John
estava dentro do edifício e ouve gritos vindos do exterior. Sai, olha em frente
e vê a Mei. Jane, chocada com o sucedido, olha e vê o Li do outro lado da rua.
Ambos dão um passo em frente, mas de repente ouve-se um berro: - Ele ainda está
vivo!
Então
John olha para o lado e vê o seu amigo deitado na estrada, cheio de ferimentos.
Aterrorizado, ele não sabe o que fazer…olha novamente em frente e continua a
ver a Mei mas nesse mesmo instante passa um camião e ela subitamente
desaparece. Jane, mal ouviu que Tom ainda estava vivo, fugiu de todo aquele
cenário. John perde as forças e ajoelha-se em lágrimas ao ver o seu amigo no
meio de tanta confusão e desgraça. Rapidamente chega uma ambulância que leva o
corpo de Tom e John acompanha-o até ao hospital. Dentro da ambulância, o médico
repara que Tom ainda tem pulsação e John ao ouvir aquilo fica alegre em saber
que o seu amigo não morreu. Assim que saíram da ambulância Tom foi logo
encaminhado para um bloco operatório e John, sentindo-se inútil, limitou-se a
ficar na sala de espera. Entretanto chega a namorada de Tom.
John – Olá Susan.
Susan – O que aconteceu?
Aonde está o Tom?
John abraça Susan e
explica-lhe:
John – Tem calma! Os
médicos levaram-no para ser operado.
Susan – Operado?! Mas o
que é que se passou?
John – Eu não sei como
aconteceu, mas o Tom foi atropelado. Quando cheguei ao pé dele já era tarde
demais, ele já não estava consciente…
Susan (interrompendo John)
– Mas porquê? Como é que isto foi acontecer?
John – Não te preocupes,
ele vai ficar bem.
John chegou a sentir-se um
pouco cruel consigo mesmo e com a Susan ao ter dito que Tom iria ficar bem, até
porque ele não sabia o que poderia vir a acontecer… Abraça Susan para a tentar
acalmar, pois ela simplesmente não conseguia parar de chorar. A espera foi
longa. Passadas cinco horas aparece um médico com notícias de Tom.
Médico – Como sabem o Tom
tinha vários ferimentos graves e tivemos de operá-lo. Conseguimos reanimá-lo e
por enquanto ele está bem, mas ele precisa de descansar e demos-lhe um sedativo
muito forte por causa das dores.
Susan – Podemos ir vê-lo?
Médico – Sim, claro. Mas
peço-lhe que sejam breves.
Susan – Está bem.
Médico – É por aqui,
acompanhem-me.
Susan ao ver Tom cheio de tubos e de ligaduras
quase desmaiou. John não se atreveu a dizer nada pois não queria causar mais
dor a Susan e então deixou-a com os pensamentos dela. Poucos minutos depois, o
médico pede-lhes para saírem e ficam na sala de espera. John senta-se e fica
com Susan, ambos calados.
Jane
andou desaparecida pelas ruas para inutilmente tentar esquecer o que se tinha
passado. Era quase noite quando chegou a
casa. Ela ainda estava chocada com todas aquelas imagens que passavam
sucessivamente à sua frente, como se estivesse a acontecer tudo outra vez. Ela
deita-se na cama mas na tentativa de dormir, nem sequer consegue fechar os
olhos. Naquele momento na sua cabeça, havia um nome que ela mantinha: Li. Ela
não tinha a certeza do que tinha visto, porque podia ter sido um truque da sua
cabeça. Ela já estava quase completamente convencida que ‘’o sonho’’ era real,
mas não sabia se o Li era verdadeiro. Ver o Li, naquele dia, com todo aquele
caos à sua volta…não passava de uma coincidência, ou pior, de uma ilusão.

Olá :D
ResponderEliminarAdorei Ju :p
Quero o próximo capítulo ;)
Beijinhos
Ritááá xD