quarta-feira, 11 de julho de 2012

Olá!

A todos que leem o meu blogue, peço que comentem os meus capítulos para eu conseguir perceber se gostam ou não. È que eu preciso de saber se acham interessante para eu puder continuar, senão não terei apoio suficiente para avançar com a história.

Espero que compreendam. J







quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capítulo 2 - Pensamentos


Susan pede a John que vá para casa, pois ela não se importava de ficar sozinha, aliás, até preferia ficar. Quando chega a casa, sente-se exausto e já sabia que não ia conseguir dormir e que ia ficar toda a noite acordado. Ele não conseguia esquecer a imagem do seu amigo morto, mas esta não era a única coisa que ele não o deixava dormir. O facto de ter visto a Mei, deixou-o totalmente confuso. Ele não sabia o que havia de pensar. Será que viu mesmo a Mei, ou foi apenas uma visão?

São quase duas da manhã, quando Jane decide ir ao hospital. Estava farta de se sentir culpada por causa do que se passou com Tom e achou melhor ir ver o que realmente tinha acontecido. Quando chega ao hospital, olha para um quadro perto da receção, que tinha o nome dos doentes e o número do quarto onde se encontravam, porém foi inútil, porque não sabia o nome do homem pelo qual procurava. Pergunta então à rececionista por alguém que tenha dado entrada há pouco tempo no hospital devido a atropelamento e obtém a resposta requerida. Passa por Susan mas não teve qualquer significado pois não se conheciam. Entra no quarto, aproxima-se e vê o estado em que Tom estava. Vieram-lhe as lágrimas aos olhos pois afinal era ela a ‘’criminosa’’. De repente, Tom acorda e ambos ficam assustados. Tom mal consegue falar, mas ainda assim afirma:

Tom – Tu és real!

Jane – Sim. Sou eu a pessoa do quadro… Desculpe por ter ficado assim. Isto é tudo culpa minha. Acha que um dia me conseguirá perdoar?

Tom abana ligeiramente a cabeça, fazendo sinal que sim. Jane sente-se mais aliviada e depois houve Tom dizer:

Tom – Tu és a Mei!

Jane – Mei? – (pergunta ela confusa). Como é que sabe que sou a Mei?

Tom – Tu és real…és a Mei.

Jane – Como é que sabe isso? Quem lhe disse?

As máquinas começam a apitar e Jane assustada recua em direção à porta. Tom não conseguiu dizer nem mais uma palavra e Jane foge. Uma equipa médica entra no quarto e percebem que Tom está a ter um ataque cardíaco. Tentam reanimá-lo mas não conseguem. Jane nem olha para trás e vai em direção à saída. Sem querer esbarra contra Susan e esta pede-lhe desculpa, mas como Jane estava tão desorientada apenas a olhou nos olhos e continuou a correr. Susan ficou admirada com a reção de Jane e anda em direção ao local de onde Jane tinha vindo a correr. Vê então que ela tinha vindo do corredor onde estava o quarto de Tom. Susan aproxima-se mais e vê tantos médicos à volta de Tom que grita:

Susan – O que se está a passar?

Uma médica – Desculpe mas não pode entrar aqui!

Susan – Não! Eu quero ver o que se passa!

Um enfermeiro – A senhora tem de sair imediatamente!

Susan – Não! O que se passa?

  Susan, encharcada em lágrimas, berra e insiste em não sair dali. O enfermeiro pega nela pelo braço e leva-a para a sala de espera. Após vinte minutos, o médico responsável pela operação feita a Tom, fala com Susan e dá-lhe a infeliz notícia de que desta vez não conseguiram reanimar o seu marido. Susan decide telefonar a John e contar-lhe a infeliz noticia. John assim que ouve a voz de Susan ao telefone percebe logo que algo de errado se passava e vai o mais rápido que pode para o hospital. Assim que chega, ele e Susan são acompanhados por um enfermeiro até ao corpo de Tom. Susan abraça o seu marido e John coloca a sua mão nas costas de Susan de modo a oferecer-lhe algum apoio e conforto.

No dia seguinte Tom é preparado para o seu funeral. Por volta das cinco da tarde John veste o seu fato preto e parte para o cemitério. Quando chega vê o seu grande amigo pela última vez, o que fez com que os seus olhos se enchessem de lágrimas, e coloca um grande ramo de flores na sepultura de Tom. Dá as condolências a todos os parentes de Tom e permanece ao lado de Susan durante o resto do funeral. No final parte para casa de cabeça baixa e com um aperto no coração.

Quanto a Jane, ao contrário de John, ela estava quase convicta de que o que tinha visto era verdade, mas de momento tudo o que ela precisava era tentar esquecer a morte pela qual ela se incriminava um pouco. Sentia-se chocada com o que se sucedeu, contudo isso não fazia com que ela sentisse alguma felicidade. Ver o seu retrato, pintado pela pessoa que ela amava, quase que tornara realidade ‘’o sonho’’ que tinha todas as noites.

O passar da semana, levou a que John quase se esquecesse de que tinha visto a Mei, já que estranhamente durante o resto da semana não voltou a ter ‘’o sonho’’. John ainda transtornado com a morte do seu amigo, decide distrair-se ao pintar mais um quadro. Tudo o que ele imaginava em pintar, levava-o a escolher cores escuras, o que refletia um pouco o conteúdo do seu estado psicológico – tristeza. Depois de tantos traços e sombreados, afasta-se e repara que tudo o que tinha desenhado e pintado era simplesmente um ‘’resumo’’ de tudo o que se tinha passado e portanto num canto estava representada uma sombra feminina.

John – Mesmo depois de esquecer, a lembrança perdura…

Ao fim de tanta tragédia a sua mente ainda guardava aquilo de que não havia nada a fazer para poder esquecer permanentemente.

Passa mais um dia e John, sentado no sofá, vê televisão mas apenas os olhos prestam atenção, pois a sua cabeça está ocupada com a Mei. De repente o tocar do telefone desperta-o:

John – Estou.

- Estou, Senhor John. É para dizer que já pode vir buscar os seus quadros.

John – Ah… Sim, claro… Eu passo por aí mais logo então…

- Sim, venha por volta das 19:30h.

John – Está bem. Adeus e obrigado.

- Adeus.

John posa o telefone e volta a sentar-se no sofá.

A ansiedade que Jane trás consigo nem a deixa ter apetite para almoçar. Chega a sentir-se ridícula, porque afinal ela não tem a certeza de nada. Mas bem no fundo ela sentia que algo ia mudar…ela nunca tinha tido uma visão com o Li, só o via no sonho que ela já conhece de cor e salteado e que já o sonha à um ano, todos os meses e em média três vezes por semana. Ela estava farta! – Necessito de respostas – disse ela. Então prepara-se, pega na mala e vai em direção ao metro, com destino ao local da exposição.

Farto de pensar na Mei, John decide ir andando para buscar os seus quadros. Pega nas chaves do carro e sai porta fora. Chegando ao local, sai, veste o casaco e assim que entra vê a senhora que lhe telefonou:

- Olá John, veio na hora certa.

John – Na hora certa?! Porquê passa-se alguma coisa?

- Nada, é só que eu tenho de ir tratar de uns assuntos e lamento mas não vou poder ficar cá para o ajudar na arrumação.

John – Tudo bem! Eu arrumo sozinho, não há problema.

- Está bem, obrigada! Se houver algum problema ligue-me.

John – Claro. Adeus.

- Adeus.

Fica então John a arrumar e empacotar os quadros.

Jane chega ao local e vê que a porta estava fechada, pelo que decide ir dar uma olhadela pelas traseiras. Felizmente a porta estava apenas encostada e entra sorrateiramente. Assim que passa a porta, dirige-se ao quadro de seu interesse e fica mais uma vez a admirá-lo e sussurra: - Como é que isto é possível?

Pois ali estava ela com roupas ocidentais antigas.

John aproxima-se e acha estranho o facto de ela estar tão quieta a observar e diz:

John – Desculpe, mas a exposição já acabou e a senhora não pode estar aqui.

Jane – Peço desculpa por ter entrado. Eu apenas queria ver este quadro.

Jane continua virada para o quadro e John mantém-se atrás dela com a caixa que ele carregava.

John – Estou a ver que gosta muito do quadro.

Jane – Sim, imenso. Há possibilidade de eu o comprar.

John – Receio que não. Esse quadro não está à venda.

Jane – Porquê?

John – Porque fui eu que o pintei e tem um grande significado para mim.

Ela nem se apercebe do que John acabara de dizer, continuando a olhar para o quadro estupefacta. John assemelha a voz de Mei a Jane e pergunta-lhe:

John – Desculpe, mas a sua voz não me é estranha. Conheço-a de algum lado?

Jane – Duvido. Mas deixe-me dizer-lhe que a sua voz também não me é estranha.

No momento em que Jane responde, John avança um pouco e Jane vira-se dando-se de caras um com o outro.

John ao ver a sua pintura tornada realidade até deixa cair a caixa que segurava na mão.

John – Mei, és mesmo tu?

Jane – Li?!

Sem quase conseguirem acreditar no que viam, avançam na direção um do outro, param, olham-se nos olhos e abraçam-se. Sentem as mãos a apertarem os seus corpos com imensa força e vêem-se lágrimas de felicidade a cair da cara de Jane. John afasta delicadamente jane e limpa-lhe as lágrimas. Olhares de ternura são trocados e lentamente, aproximam os seus lábios e dão um beijo profundo. Parecia que os segundos se tornavam minutos, tal era a intensidade dos beijos. Depois de um grande momento de paixão, olham-se novamente e abraçam-se uma vez mais.

Jane – Ainda nem consigo acreditar que és mesmo tu!

John – Eu sei, eu sinto o mesmo!

Jane – O que estás aqui a fazer?

John – Estava a empacotar os meus quadros.

Jane – Vejo que continuas a ser um grande pintor.

John sorri.

Jane – Precisas de ajuda?

John – Na verdade sim…

Jane – Eu ajudo-te então.

Ambos arrumam os quadros e ao mesmo tempo olham-se carinhosamente.  No final John pega nas mãos de Jane e diz:

John – Gostavas de vir comigo para minha casa? Não quero separar-me de ti agora que te encontrei.

Jane – Sim, adorava.

John fecha a porta das traseiras do museu e entram os dois no carro. Ao chegarem ao apartamento, John começa por mostrar a Jane todos os cantos da casa. Quando abre a porta do quarto, Jane fica admirada com a bela vista que se podia observar através dos enormes vidros da janela. A noite estava perfeita, com todas as luzes vindas da rua e dos outros prédios, até o céu colaborou, com lindas estrelas e uma maravilhosa lua cheia.

John – Queres comer? Eu posso preparar o que quiseres.

Jane – Sim, pode ser.

Voltam à cozinha e preparam os dois uma simples refeição.

John – Confesso que não tenho muito jeito para isto, mas não ficou mal.

Jane – Sim, acho que o que fizemos está bom.

Durante a refeição são trocados sorrisos e gargalhadas e no final sentam-se no sofá. John – Sentes-te cansada?

Jane – Não. Ainda é cedo.

Sorriem e Jane diz: - Gosto muito do teu apartamento!

John – E do que é que gostas mais?

Jane – Adorei a vista da janela do teu quarto. A cidade vista de cá de cima fica fantástica.

John – Sim, foi por isso mesmo que decidi comprá-lo. Mas a vista é ainda melhor vista da varanda. Eu mostro-te! Vamos.

Entram no quarto, John abre a porta de vidro da varanda e puxa delicadamente a Jane. Ela coloca as mãos nas grades da varanda e John abraça-a por detrás.

Jane – Tens razão a vista é maravilhosa.

John – E sabes o que ainda a torna mais maravilhosa?

Jane – O quê?

John – Estar aqui contigo a vê-la.

Faz-se um momento de silêncio e John continua: - Nunca pensei que isto se pudesse vir a tronar realidade. Finalmente sinto-me completo contigo ao meu lado.

Jane inclina a cabeça e com a mão aproxima os lábios dele aos seus. 

Com o passar dos minutos, os beijos tornam-se demasiado intensos e as mãos de ambos começam a percorrer os seus corpos. Caminham vagarosamente para o quarto, John senta-se na cama com Jane ao seu colo e acaricia-lhe as pernas. Devagar a Jane começa a desabotoar a camisa de John e tocando-lhe nos ombros, seguidamente dos braços, tira a camisa. As caricias continuam até terem apenas a roupa interior e então John deita Jane na cama e despem os últimos pedaços de tecido até sentirem apenas as suas peles a tocarem-se. Jane desliza as mãos pelo delicioso corpo de John e ouvem-se suspiros de prazer. Depois de vários repetidos movimentos, o prazer atinge o auge e resta apenas uma ligeira exaustão. Por fim Jane adormece nos braços de John e seguidamente ele também fecha os seus olhos.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Capítulo 1 – O inesperado


Já há alguns anos que John tem vindo a ter todas as noites sempre o mesmo sonho e ele começa a sentir que o sonho é a sua verdadeira vida. O que ele sonha é basicamente um fragmento de quem ele foi na vida que teve antes desta, o mais importante é de ele se lembrar do seu verdadeiro amor: Mei. Essencialmente, ele lembra-se de estar sempre com a Mei e de que ele costumava fazer muitos desenhos dela. Para além disso, também se lembra do momento em que morreu. A sua vida no mundo real, não era nada de especial e ele não tinha uma razão de vida. Então ele começou a pensar que ele só conseguia ser feliz nos seus sonhos. Esta ideia de querer viver nos sonhos apareceu, porque todos os dias ele tinha a mesma rotina: pintar; sem qualquer alegria ou prazer…ele não tinha sentimentos bons. Uma parte dele já estava morta. Depois ele decidiu tomar vários comprimidos para dormir para que pudesse dormir o máximo de tempo possível, com a finalidade de sonhar. Depois de meses a tomar tantos comprimidos, o coração dele ficava cada vez mais fraco e começou a falhar, por isso depois de algum tempo, quase que teve um ataque de coração. Os médicos descobriram a causa do quase ataque cardíaco e por pouco que o internavam. Contudo, o John apenas foi enviado para uma psicóloga que o ajudara já há sete meses.

Hoje é a sua última sessão de tratamento.
Psicóloga – Como sabe, esta pode ser a nossa última sessão, por isso comecemos por me dizer como se sentiu ao longo desta semana.
John – Senti-me normal… Quer dizer… Eu não tive ‘’o sonho’’.
Psicóloga – Isso é um grande progresso, porque você não tem tido ‘’esse sonho’’ já há três meses. Por isso, acho que talvez seja tempo de poder voltar à sua vida normalmente. Eu acredito de que será capaz de conseguir ter uma vida normal. Não concorda?
John – Sim. Acho que depois deste tempo todo, voltei a ser eu mesmo.
Psicóloga – É verdade! E é isso que você se deve lembrar todos os dias: ‘’ser eu mesmo’’. Penso que está preparado para aceitar que os sonhos são apenas uma experiência de imaginação do nosso subconsciente, durante o período de sono. Percebe o que estou a dizer?
John – Sim, claro! Eu sei que tenho vindo a agir como uma pessoa maluca, mas eu percebo que ‘’o sonho’’ não era real e eu não vou voltar a acreditar num mundo que faz parte da minha imaginação. - Diz de forma duvidosa.
Psicóloga – Esse é o passo que eu tenho vindo à espera que tomasse. Vejo que já consegue aceitar a verdade. Sinto-me orgulhosa do seu progresso. E, assim sendo, esta é possivelmente a nossa última sessão. Não precisa de vir novamente.
John – Está a dizer a verdade? Então, eu estou ‘’curado’’? – Diz com um grande sorriso.
Psicóloga – Sim. Está ‘‘curado’’! – Ela dá uma gargalhada. Mas John, se eventualmente tiver ‘’o sonho’’ outra vez, peço-lhe que me ligue para ter a certeza de que fica bem, está bem?
John – Claro! Eu farei isso.
Psicóloga – Então, eu vou já tratar dos seus papéis em conforme as consultas terminarão. Adeus e cuide-se.
John – Adeus!
John, farto de estar naquele péssimo lugar, corre para o carro e vai para casa. Durante o caminho farta-se de se rir e sente-se completamente aliviado. No final do dia, John deita-se no sofá a pensar na forma como ele deve colocar os seus quadros para fazer uma exposição perfeita. Sem se aperceber ele adormece…
(Numa pequena montanha, com vista para o mar, ao pôr do sol.)
Li pega nas mãos de Mei: Mei, eu amo-te tanto que eu quero ficar contigo para sempre.
Mei sorri e diz: Li, tu sabes que eu te amo com todas as minhas forças e se fosse possível eu ficaria contigo para sempre, até que o mundo acabasse.
Li olha a Mei nos olhos e confessa: Eu quero que saibas que desde o primeiro momento que te vi, eu sempre acreditei que estávamos destinados a viver juntos para sempre. O meu amor por ti será sempre infinito.
Mei fica emocionada e aproxima os seus lábios aos de Li e sente que ele está a tremer muito, e diz: - Li, que se passa? Estás a tremer tanto…
Li não é capaz de lhe responder e cai para trás.

 John acorda e sente o seu coração a bater muito forte, quase a sufocar e suspira: - Mei!...

John estava surpreendido, porque ele nunca pensara que teria aquele sonho outra vez. Toma banho e esfrega várias vezes a cara para se certificar que está acordado. Fica confuso, pois não sabe o que há-de fazer. Ainda pensou em telefonar à psicóloga, mas ele não queria ir para aquele sítio novamente. De repente olha para o relógio e apercebe-se de que já está atrasado para a exposição, então sai o mais rápido que pode. Passados 20 minutos ele chega, vê o Tom e dá-lhe um aperto de mão:

John – Bom dia Tom, como é que está a minha exposição?

Tom – Bom dia! O que aconteceu para teres chegado atrasado?

John – Adormeci, mais nada. E vejo que já está tudo preparado!

Tom – Sim, eu já organizei todo o teu trabalho e espero que esteja do teu agrado, porque eu não vou fazer nenhuma alteração! – Diz a rir-se.

John – Não, está tudo bem! Onde é que puseste a ‘’Mei’’?

Tom – Tem calma, está ali ao fundo. Eu coloquei-a no fim para ficar centrada com o corredor, porque é mesmo o melhor que já fizeste.

John – Eu sei, obrigado Tom.

Tom – Tu ainda tens sonhos com ela?

John – Já não. Mas eram só sonhos…

Tom – Exato! Não percas o contacto com a realidade, porque sabes perfeitamente o que aconteceu.

John – Sim, eu sei.

Tom – Eu não te quero voltar a ver todo desorientado, percebes? Da última vez quase que morreste. Ficavas em casa, não falavas com ninguém… Por isso vive a vida real e não os sonhos, está bem?

John – Sim eu percebo… isso foi antes, agora já estou bem. – diz John duvidoso.

Tom – Olha, vai começar, já estão a abrir as portas. Isto vai ficar cheio de gente…

Jane costumava trabalhar num bar de Jazz, mas há já três meses que foi despedida e desde então ainda não conseguiu arranjar trabalho. Os seus pais têm um emprego muito bom e ainda têm um pequeno café. Dinheiro é coisa que não lhes falta e de dois em dois meses enviam uma certa quantia a Jane para que ela tenha o que quer que seja necessário para poder viver sozinha. Quando ela saiu de casa os pais estavam sempre a discutir e até pensaram em divorciar-se, mas ninguém se dispôs a avançar com o divórcio e até agora ainda vivem juntos.

Depois de tomar o pequeno-almoço, Jane decide ir dar uma volta para ver se aparecia algum anúncio de trabalho e no caminho depara-se com a sua amiga Molly.

Jane – Olá Molly, como estás?

Molly – Olá, há tanto tempo que não te via… Eu estou bem e tu?

Jane – Eu estou fastástica.

Molly conhecia Jane desde o liceu e notou logo que havia qualquer coisa de errado.

Molly – Para de mentir! Eu já te conheço! Posso não te ter visto este tempo todo, mas tu continuas a mesma.

Jane – Oh, já te disse que estou bem!

Molly – Podes mentir aos outros, mas não consegues mentir-me a mim. Tu estás desempregada outra vez…

Jane – Sim…

Molly – Tu sabes que te posso ajudar. Eu posso arranjar-te emprego…

Jane – …Não! Já devias saber que eu não gosto desse tipo de coisas. Eu quero ser feliz com aquilo que sei fazer.

Molly – Sim, eu percebo-te, mas arranjar emprego como cantora não está fácil.

Jane – Eu sei.

Molly – Precisas de dinheiro?

Jane – Não. Os meus pais enviam-me de vez em quando uns trocos.

Molly – Está bem. Olha, eu tenho de ir já estou atrasada. Se precisares de alguma coisa liga-me! Vemo-nos depois, Adeus!

Jane – Adeus!

Jane continua a caminhar pelas ruas e de repente vê um anúncio com uma foto do melhor trabalho de John: ‘’Mei’’. Ela fica perplexa a olhar para a figura que é tal e qual ela. Ela lê o pequeno texto que está abaixo da imagem e apercebe-se de que é uma exposição de quadros. Olha para a morada onde se realizará a exposição e corre em direção ao metro.

Quando chega ao local, entra e olha em todas as direções à procura da imagem. Finalmente, vê o quadro no final do corredor e corre na sua direção. Ela fica imóvel a observar as semelhanças e chega a perguntar a ela própria: - Então ‘’o sonho’’ é real?

Tom vê-a a prestar tanta atenção para o quadro que decide ir-lhe perguntar se precisa de alguma coisa.

Tom – Olhe desculpe, mas a senhora está bem?

Jane olha para trás, ligeiramente pálida e desta vez é Tom quem fica perplexo e até um pouco assustado. Ela nota na sua reação e, apavorada com o sucedido, foge o mais rápido possível dali. Tom preocupado, corre atrás dela. Jane está completamente desorientada e atravessa a rua com todos os carros a passarem a alta velocidade. Ela teve sorte em não ter sido atropelada, mas já não se pode dizer o mesmo de Tom. Ele estava tão preocupado com ela que nem se apercebe dos carros à sua volta. Jane olha para trás e vê que Tom foi atropelado. John estava dentro do edifício e ouve gritos vindos do exterior. Sai, olha em frente e vê a Mei. Jane, chocada com o sucedido, olha e vê o Li do outro lado da rua. Ambos dão um passo em frente, mas de repente ouve-se um berro: - Ele ainda está vivo!

Então John olha para o lado e vê o seu amigo deitado na estrada, cheio de ferimentos. Aterrorizado, ele não sabe o que fazer…olha novamente em frente e continua a ver a Mei mas nesse mesmo instante passa um camião e ela subitamente desaparece. Jane, mal ouviu que Tom ainda estava vivo, fugiu de todo aquele cenário. John perde as forças e ajoelha-se em lágrimas ao ver o seu amigo no meio de tanta confusão e desgraça. Rapidamente chega uma ambulância que leva o corpo de Tom e John acompanha-o até ao hospital. Dentro da ambulância, o médico repara que Tom ainda tem pulsação e John ao ouvir aquilo fica alegre em saber que o seu amigo não morreu. Assim que saíram da ambulância Tom foi logo encaminhado para um bloco operatório e John, sentindo-se inútil, limitou-se a ficar na sala de espera. Entretanto chega a namorada de Tom.

John – Olá Susan.

Susan – O que aconteceu? Aonde está o Tom?

John abraça Susan e explica-lhe:

John – Tem calma! Os médicos levaram-no para ser operado.

Susan – Operado?! Mas o que é que se passou?

John – Eu não sei como aconteceu, mas o Tom foi atropelado. Quando cheguei ao pé dele já era tarde demais, ele já não estava consciente…

Susan (interrompendo John) – Mas porquê? Como é que isto foi acontecer?

John – Não te preocupes, ele vai ficar bem.

John chegou a sentir-se um pouco cruel consigo mesmo e com a Susan ao ter dito que Tom iria ficar bem, até porque ele não sabia o que poderia vir a acontecer… Abraça Susan para a tentar acalmar, pois ela simplesmente não conseguia parar de chorar. A espera foi longa. Passadas cinco horas aparece um médico com notícias de Tom.

Médico – Como sabem o Tom tinha vários ferimentos graves e tivemos de operá-lo. Conseguimos reanimá-lo e por enquanto ele está bem, mas ele precisa de descansar e demos-lhe um sedativo muito forte por causa das dores.

Susan – Podemos ir vê-lo?

Médico – Sim, claro. Mas peço-lhe que sejam breves.

Susan – Está bem.

Médico – É por aqui, acompanhem-me.


 Susan ao ver Tom cheio de tubos e de ligaduras quase desmaiou. John não se atreveu a dizer nada pois não queria causar mais dor a Susan e então deixou-a com os pensamentos dela. Poucos minutos depois, o médico pede-lhes para saírem e ficam na sala de espera. John senta-se e fica com Susan, ambos calados.

Jane andou desaparecida pelas ruas para inutilmente tentar esquecer o que se tinha passado.  Era quase noite quando chegou a casa. Ela ainda estava chocada com todas aquelas imagens que passavam sucessivamente à sua frente, como se estivesse a acontecer tudo outra vez. Ela deita-se na cama mas na tentativa de dormir, nem sequer consegue fechar os olhos. Naquele momento na sua cabeça, havia um nome que ela mantinha: Li. Ela não tinha a certeza do que tinha visto, porque podia ter sido um truque da sua cabeça. Ela já estava quase completamente convencida que ‘’o sonho’’ era real, mas não sabia se o Li era verdadeiro. Ver o Li, naquele dia, com todo aquele caos à sua volta…não passava de uma coincidência, ou pior, de uma ilusão.

Personagens

Li / John – Li era um pintor chinês de 20 anos que vivia em Xangai e tinha como única paixão os desenhos e as pinturas. Mas isso foi até ter conhecido Mei, pois ela ‘’roubou-lhe’’ a paixão que ele sentia pela arte. O facto de eles se amarem tanto fez com que estivessem sempre juntos, o que originou uma grande coleção de retratos da Mei. Li morre aos 25 anos com um ataque de coração. Após alguns séculos, Li volta a viver, mas desta vez no corpo de John. John é um pintor rico com 33 anos que vive em Los Angeles. Ele é chinês e mudou-se para a América com 18 anos de idade. Vivia em Hong Kong na China e aos 13 anos os seus pais morreram num trágico acidente de carro.

John – Cor dos olhos: castanhos-escuros; Cor do cabelo: castanho-escuro; Altura: 1m,78cm.

Mei/Jane – Mei vivia em Xangai, pois foi abandonada quando ainda era criança e foi criada por uma família chinesa. Ela passava o seu tempo a cantar e a dançar, e foi no final de uma tarde que enquanto cantava, Li se aproximou dela, encantado com a sua bela voz. Mei, depois de alguns séculos (assim como Li) vive outra vez mas no corpo de Jane. Jane é uma cantora americana com 25 anos que vive sozinha em Los Angeles. Ela antes morava com os seus pais em Washington, mas decidiu deixá-los, porque estava farta de viver com uma família tão problemática. Então aos 23 anos decidiu começar uma nova vida, na qual pudesse viver livre.

Jane – Cor dos olhos: castanhos-escuros; Cor do cabelo: castanho-claro comprido; Altura: 1m,68cm.

Tom – É o melhor amigo de John e ajuda-o na sua ‘’vida financeira’’; Cor dos olhos: azuis; Cor do cabelo: castanho; Altura: 1m,80cm.

Molly – É a melhor amiga de Jane; Cor dos olhos: verdes; Cor do cabelo: castanho; Altura: 1m,70cm.

Susan – Mulher de Tom e amiga de John; Cor dos olhos: castanhos; Cor do cabelo: loiro; Altura: 1m,72cm.