Susan
pede a John que vá para casa, pois ela não se importava de ficar sozinha,
aliás, até preferia ficar. Quando chega a casa, sente-se exausto e já sabia que
não ia conseguir dormir e que ia ficar toda a noite acordado. Ele não conseguia
esquecer a imagem do seu amigo morto, mas esta não era a única coisa que ele
não o deixava dormir. O facto de ter visto a Mei, deixou-o totalmente confuso.
Ele não sabia o que havia de pensar. Será que viu mesmo a Mei, ou foi apenas
uma visão?
São
quase duas da manhã, quando Jane decide ir ao hospital. Estava farta de se
sentir culpada por causa do que se passou com Tom e achou melhor ir ver o que
realmente tinha acontecido. Quando chega ao hospital, olha para um quadro perto
da receção, que tinha o nome dos doentes e o número do quarto onde se
encontravam, porém foi inútil, porque não sabia o nome do homem pelo qual
procurava. Pergunta então à rececionista por alguém que tenha dado entrada há
pouco tempo no hospital devido a atropelamento e obtém a resposta requerida. Passa
por Susan mas não teve qualquer significado pois não se conheciam. Entra no
quarto, aproxima-se e vê o estado em que Tom estava. Vieram-lhe as lágrimas aos
olhos pois afinal era ela a ‘’criminosa’’. De repente, Tom acorda e ambos ficam
assustados. Tom mal consegue falar, mas ainda assim afirma:
Tom – Tu és real!
Jane – Sim. Sou eu a
pessoa do quadro… Desculpe por ter ficado assim. Isto é tudo culpa minha. Acha
que um dia me conseguirá perdoar?
Tom abana ligeiramente a
cabeça, fazendo sinal que sim. Jane sente-se mais aliviada e depois houve Tom
dizer:
Tom – Tu és a Mei!
Jane – Mei? – (pergunta
ela confusa). Como é que sabe que sou a Mei?
Tom – Tu és real…és a Mei.
Jane – Como é que sabe isso?
Quem lhe disse?
As
máquinas começam a apitar e Jane assustada recua em direção à porta. Tom não
conseguiu dizer nem mais uma palavra e Jane foge. Uma equipa médica entra no
quarto e percebem que Tom está a ter um ataque cardíaco. Tentam reanimá-lo mas
não conseguem. Jane nem olha para trás e vai em direção à saída. Sem querer
esbarra contra Susan e esta pede-lhe desculpa, mas como Jane estava tão
desorientada apenas a olhou nos olhos e continuou a correr. Susan ficou
admirada com a reção de Jane e anda em direção ao local de onde Jane tinha vindo
a correr. Vê então que ela tinha vindo do corredor onde estava o quarto de Tom.
Susan aproxima-se mais e vê tantos médicos à volta de Tom que grita:
Susan – O que se está a
passar?
Uma médica – Desculpe mas
não pode entrar aqui!
Susan – Não! Eu quero ver
o que se passa!
Um enfermeiro – A senhora
tem de sair imediatamente!
Susan – Não! O que se
passa?
Susan, encharcada em lágrimas, berra e
insiste em não sair dali. O enfermeiro pega nela pelo braço e leva-a para a
sala de espera. Após vinte minutos, o médico responsável pela operação feita a Tom,
fala com Susan e dá-lhe a infeliz notícia de que desta vez não conseguiram
reanimar o seu marido. Susan decide telefonar a John e contar-lhe a infeliz
noticia. John assim que ouve a voz de Susan ao telefone percebe logo que algo
de errado se passava e vai o mais rápido que pode para o hospital. Assim que
chega, ele e Susan são acompanhados por um enfermeiro até ao corpo de Tom.
Susan abraça o seu marido e John coloca a sua mão nas costas de Susan de modo a
oferecer-lhe algum apoio e conforto.
No
dia seguinte Tom é preparado para o seu funeral. Por volta das cinco da tarde
John veste o seu fato preto e parte para o cemitério. Quando chega vê o seu
grande amigo pela última vez, o que fez com que os seus olhos se enchessem de
lágrimas, e coloca um grande ramo de flores na sepultura de Tom. Dá as
condolências a todos os parentes de Tom e permanece ao lado de Susan durante o
resto do funeral. No final parte para casa de cabeça baixa e com um aperto no
coração.
Quanto
a Jane, ao contrário de John, ela estava quase convicta de que o que tinha
visto era verdade, mas de momento tudo o que ela precisava era tentar esquecer
a morte pela qual ela se incriminava um pouco. Sentia-se chocada com o que se
sucedeu, contudo isso não fazia com que ela sentisse alguma felicidade. Ver o
seu retrato, pintado pela pessoa que ela amava, quase que tornara realidade ‘’o
sonho’’ que tinha todas as noites.
O
passar da semana, levou a que John quase se esquecesse de que tinha visto a Mei,
já que estranhamente durante o resto da semana não voltou a ter ‘’o sonho’’.
John ainda transtornado com a morte do seu amigo, decide distrair-se ao pintar
mais um quadro. Tudo o que ele imaginava em pintar, levava-o a escolher cores
escuras, o que refletia um pouco o conteúdo do seu estado psicológico –
tristeza. Depois de tantos traços e sombreados, afasta-se e repara que tudo o
que tinha desenhado e pintado era simplesmente um ‘’resumo’’ de tudo o que se
tinha passado e portanto num canto estava representada uma sombra feminina.
John
– Mesmo depois de esquecer, a lembrança perdura…
Ao
fim de tanta tragédia a sua mente ainda guardava aquilo de que não havia nada a
fazer para poder esquecer permanentemente.
Passa
mais um dia e John, sentado no sofá, vê televisão mas apenas os olhos prestam
atenção, pois a sua cabeça está ocupada com a Mei. De repente o tocar do
telefone desperta-o:
John – Estou.
- Estou, Senhor John. É
para dizer que já pode vir buscar os seus quadros.
John – Ah… Sim, claro… Eu
passo por aí mais logo então…
- Sim, venha por volta das
19:30h.
John – Está bem. Adeus e
obrigado.
- Adeus.
John posa o telefone e
volta a sentar-se no sofá.
A
ansiedade que Jane trás consigo nem a deixa ter apetite para almoçar. Chega a
sentir-se ridícula, porque afinal ela não tem a certeza de nada. Mas bem no
fundo ela sentia que algo ia mudar…ela nunca tinha tido uma visão com o Li, só
o via no sonho que ela já conhece de cor e salteado e que já o sonha à um ano,
todos os meses e em média três vezes por semana. Ela estava farta! – Necessito
de respostas – disse ela. Então prepara-se, pega na mala e vai em direção ao
metro, com destino ao local da exposição.
Farto
de pensar na Mei, John decide ir andando para buscar os seus quadros. Pega nas
chaves do carro e sai porta fora. Chegando ao local, sai, veste o casaco e
assim que entra vê a senhora que lhe telefonou:
- Olá John, veio na hora
certa.
John – Na hora certa?!
Porquê passa-se alguma coisa?
- Nada, é só que eu tenho
de ir tratar de uns assuntos e lamento mas não vou poder ficar cá para o ajudar
na arrumação.
John – Tudo bem! Eu arrumo
sozinho, não há problema.
- Está bem, obrigada! Se
houver algum problema ligue-me.
John – Claro. Adeus.
- Adeus.
Fica então John a arrumar
e empacotar os quadros.
Jane
chega ao local e vê que a porta estava fechada, pelo que decide ir dar uma
olhadela pelas traseiras. Felizmente a porta estava apenas encostada e entra
sorrateiramente. Assim que passa a porta, dirige-se ao quadro de seu interesse
e fica mais uma vez a admirá-lo e sussurra: - Como é que isto é possível?
Pois ali estava ela com
roupas ocidentais antigas.
John aproxima-se e acha
estranho o facto de ela estar tão quieta a observar e diz:
John – Desculpe, mas a
exposição já acabou e a senhora não pode estar aqui.
Jane – Peço desculpa por
ter entrado. Eu apenas queria ver este quadro.
Jane continua virada para
o quadro e John mantém-se atrás dela com a caixa que ele carregava.
John – Estou a ver que
gosta muito do quadro.
Jane – Sim, imenso. Há
possibilidade de eu o comprar.
John – Receio que não.
Esse quadro não está à venda.
Jane – Porquê?
John – Porque fui eu que o
pintei e tem um grande significado para mim.
Ela nem se apercebe do que
John acabara de dizer, continuando a olhar para o quadro estupefacta. John
assemelha a voz de Mei a Jane e pergunta-lhe:
John – Desculpe, mas a sua
voz não me é estranha. Conheço-a de algum lado?
Jane – Duvido. Mas
deixe-me dizer-lhe que a sua voz também não me é estranha.
No momento em que Jane
responde, John avança um pouco e Jane vira-se dando-se de caras um com o outro.
John ao ver a sua pintura
tornada realidade até deixa cair a caixa que segurava na mão.
John – Mei, és mesmo tu?
Jane – Li?!
Sem
quase conseguirem acreditar no que viam, avançam na direção um do outro, param,
olham-se nos olhos e abraçam-se. Sentem as mãos a apertarem os seus corpos com
imensa força e vêem-se lágrimas de felicidade a cair da cara de Jane. John
afasta delicadamente jane e limpa-lhe as lágrimas. Olhares de ternura são
trocados e lentamente, aproximam os seus lábios e dão um beijo profundo. Parecia
que os segundos se tornavam minutos, tal era a intensidade dos beijos. Depois
de um grande momento de paixão, olham-se novamente e abraçam-se uma vez mais.
Jane – Ainda nem consigo
acreditar que és mesmo tu!
John – Eu sei, eu sinto o
mesmo!
Jane – O que estás aqui a
fazer?
John – Estava a empacotar
os meus quadros.
Jane – Vejo que continuas
a ser um grande pintor.
John sorri.
Jane – Precisas de ajuda?
John – Na verdade sim…
Jane – Eu ajudo-te então.
Ambos arrumam os quadros e
ao mesmo tempo olham-se carinhosamente.
No final John pega nas mãos de Jane e diz:
John – Gostavas de vir
comigo para minha casa? Não quero separar-me de ti agora que te encontrei.
Jane – Sim, adorava.
John
fecha a porta das traseiras do museu e entram os dois no carro. Ao chegarem ao
apartamento, John começa por mostrar a Jane todos os cantos da casa. Quando
abre a porta do quarto, Jane fica admirada com a bela vista que se podia
observar através dos enormes vidros da janela. A noite estava perfeita, com
todas as luzes vindas da rua e dos outros prédios, até o céu colaborou, com
lindas estrelas e uma maravilhosa lua cheia.
John – Queres comer? Eu
posso preparar o que quiseres.
Jane – Sim, pode ser.
Voltam à cozinha e
preparam os dois uma simples refeição.
John – Confesso que não
tenho muito jeito para isto, mas não ficou mal.
Jane – Sim, acho que o que
fizemos está bom.
Durante a refeição são
trocados sorrisos e gargalhadas e no final sentam-se no sofá. John – Sentes-te
cansada?
Jane – Não. Ainda é cedo.
Sorriem e Jane diz: -
Gosto muito do teu apartamento!
John – E do que é que
gostas mais?
Jane – Adorei a vista da
janela do teu quarto. A cidade vista de cá de cima fica fantástica.
John – Sim, foi por isso
mesmo que decidi comprá-lo. Mas a vista é ainda melhor vista da varanda. Eu
mostro-te! Vamos.
Entram no quarto, John
abre a porta de vidro da varanda e puxa delicadamente a Jane. Ela coloca as
mãos nas grades da varanda e John abraça-a por detrás.
Jane – Tens razão a vista
é maravilhosa.
John – E sabes o que ainda
a torna mais maravilhosa?
Jane – O quê?
John – Estar aqui contigo
a vê-la.
Faz-se um momento de
silêncio e John continua: - Nunca pensei que isto se pudesse vir a tronar
realidade. Finalmente sinto-me completo contigo ao meu lado.
Jane inclina a cabeça e
com a mão aproxima os lábios dele aos seus.
Com
o passar dos minutos, os beijos tornam-se demasiado intensos e as mãos de ambos
começam a percorrer os seus corpos. Caminham vagarosamente para o quarto, John
senta-se na cama com Jane ao seu colo e acaricia-lhe as pernas. Devagar a Jane
começa a desabotoar a camisa de John e tocando-lhe nos ombros, seguidamente dos
braços, tira a camisa. As caricias continuam até terem apenas a roupa interior
e então John deita Jane na cama e despem os últimos pedaços de tecido até
sentirem apenas as suas peles a tocarem-se. Jane desliza as mãos pelo delicioso
corpo de John e ouvem-se suspiros de prazer. Depois de vários repetidos
movimentos, o prazer atinge o auge e resta apenas uma ligeira exaustão. Por fim
Jane adormece nos braços de John e seguidamente ele também fecha os seus olhos.